Pangolim e coronavirus

(actualisé le ) por Aléssio

Pesquisa na China aponta pangolins como potencial hospedeiro intermediário do coronavirus.

«Indian Pangolin» by leafwarbler is licensed under CC BY-NC-SA 2.0.
Os pangolins são mamíferos placentários da ordem Pholidota. Atualmente são conhecidas 10 espécies diferentes de pangolins [1]. Estas espécies podem ser divididas em dois grupos: os pangolins africanos e os pangolins asiáticos. Todas as espécies possuem aproximadamente as mesmas características: são animais relativamente pequenos, com caudas compridas, focinho fino, não possuem dentes e o corpo é recoberto por uma carapaça formada por inúmeras escamas. O fóssil mais antigo conhecido de pangolim data de 45 milhões de anos atrás, tendo surgido provavelmente no Eoceno.

São animais totalmente inofensivos e possuem o comportamento de se enrolar sobre o próprio corpo para se proteger de predadores. O seu nome é originário do termo Malaio «peng-goling» que significa «aquele que se enrola». Os pangolins são mamíferos mirmecófagos, isto é, se alimentam quase que exclusivamente de formigas e cupins. Em termos morfológicos e comportamentais, eles são muito parecidos com as nossas espécies de tamanduá, pois os pangolins também possuem grandes línguas finas e viscosas que auxiliam na captura de cupins.

Os pangolins vivem em ambientes tropicais e sub-tropicais da Africa e do Sudeste Asiático. São bons escaladores de árvores. Infelizmente todas as espécies são consideradas ameaçadas de extinção. É um dos bichos mais traficados do Mundo. Tanto em países africanos, como em países asiáticos os pangolins são caçados para o consumo de sua carne e principalmente para o comércio de suas escamas. O principal mercado de escamas de pangolins é a China. Tais escamas são procuradas para uso medicinal. As escamas são secadas, moídas em pó e colocadas em cápsulas para o suposto tratamento de diferentes doenças. O problema é que tais escamas não passam de queratina, a mesma substância de nossas unhas.

Desde 2017, o comércio internacional de pangolins foi proibido. Entretanto, mesmo com a proibição, no mesmo ano, de acordo com um artigo da National Geographic, de junho de 2019, o governo chinês fez uma apreensão de mais de 11 toneladas de escamas de pangolins. Estudos recentes apontam que aproximadamente 900 mil pangolins foram traficados globalmente entre os anos 2000 e 2019 [2].

Agora, os pangolins são apontados, em um estudo realizado por uma universidade chinesa, como possíveis hospedeiros do coronavirus, já que a sequência do genoma da nova cepa de coronavírus separada de pangolins era 99% idêntica a de pessoas infectadas, indicando que os pangolins podem ser um hospedeiro intermediário do vírus. O problema destas novas evidências é que não sabemos, ou não foi informado na mídia internacional, quais as espécies de pangolins analisadas. De toda forma, se for confirmado que o pangolim é o principal hospedeiro intermediário do coronavirus, a transmissão pode ter sido ocasionada pela consumo de carne mal cozida ou das próprias escamas de algum animal. Resta saber quais as espécies de pangolins envolvidas na transmissão e reforçar planos para a sua proteção e conservação.

Observações

[1Gaubert, P., Wible, J. R., Heighton, S. P., & Gaudin, T. J. (2020). Chapter 2—Phylogeny and systematics. In D. W. S. Challender, H. C. Nash, & C. Waterman (Orgs.), Pangolins (p. 25–39). Academic Press.

[2Challender, D. W., Heinrich, S., Shepherd, C. R., & Katsis, L. K. (2020). International trade and trafficking in pangolins, 1900–2019. In Pangolins (pp. 259-276). Academic Press.